Liderança servidora na tecnologia: 6 perguntas para Tommy Nelson

2018-08-21T13:37:48+00:0021/08/2018|

A vida pode ser comparada a uma jogo de futebol. Quando se chega aos 45 minutos do primeiro tempo (ou 45 anos, aproximadamente) é preciso fazer uma pausa. A questão da idade para esta pausa é bem relativa. Pode ser aos 35 ou aos 45, mas a explicação é a mesma: é preciso parar para repensar os rumos.

Se no primeiro tempo da vida corremos muito e gastamos muita energia, o segundo tempo pede mais estratégia e esforços mais focados nos resultados desejados. Afinal, já se tem uma melhor visão do campo, das pessoas que estão no jogo e assim é possível fazer avaliações mais eficientes.

Essa é a visão de Tommy Nelson, personal coach, conferencista, pesquisador e professor norte-americano. Referência na temática da liderança servidora, convidamos Tommy para um bate-papo e dividimos com vocês as respostas inspiradoras aqui:

  • IT Brasil: Quais as características da liderança servidora que a faz tão pertinente neste momento de profundas transformações no mercado e na sociedade?

TN: O líder servidor cria um ambiente de confiança, no qual as pessoas se desenvolvem da melhor forma possível, conquistando melhores resultados. E isso acontece mesmo em tempos turbulentos como o atual.

Para isso, ele cria tempo para ouvir e desenvolve hábitos diários de comunicação eficaz com seu time. Consegue ser empático mesmo remotamente, em reuniões online, por exemplo.

  1. IT Brasil: Para ser um líder servidor é preciso ser o chefe?  

TN: Não, mas certamente é mais fácil colocar algumas ações em prática quando se é o chefe de fato.

O líder servidor tem que ser o que eu chamo de “visionário executivo”. Ele tem perfil “mão na massa”, então, primeiro serve e depois lidera. Seu lado “monge” deixa claro que as pessoas são mais importantes do que os resultados que produzem. Ele só cresce se o time cresce e o time só cresce quando se sempre próximo do seu líder.

  • IT Brasil: Como começar a ser um líder servidor?

TN: Eu vejo que a vida do executivo pode ser comparada a um jogo de futebol ou uma prova de Fórmula 1: é mandatório ter um intervalo entre os tempos, um pit-stop. É preciso “sair de cena”, buscar uma uma imersão para relaxar e olhar para sua trajetória.

Se no primeiro tempo é correria, no segundo é estratégia. Aí, algumas práticas de Recursos Humanos são bem interessantes, como a avaliação 360°, que ajuda a identificar lacunas no seu desenvolvimento como líder.

Da minha experiência, eu posso afirmar que 95% dos líderes atuais tem tanta pressa que não conseguem fazer a mudança do “líder transacional” para o “líder transformacional”. É preciso buscar ajuda para fazer essa jornada.

  • IT Brasil: Como ser um líder servidor, liderado por um “chefe” tradicional (ou por uma empresa que ainda trabalha nos modelos antigos de chefia)?

TN: Minha sugestão é usar a influência. Influenciar o chefe de forma consciente. Eu acredito que os outros só vão mudar quando perceberem que você mudou. É sobre dar o exemplo e não abrir mão da nova forma de liderar. É quase uma declaração de guerra, na qual o foco é o ganha-ganha.

Incentivar as pessoas do time a trabalharem com seus pontos fortes é algo que você deve fazer sempre, porque isso contamina o ambiente. É contagiante! Mas prepare-se: a recompensa não é imediata, porém aos poucos essa influência cresce.

  • IT Brasil: Quais os diferenciais do líder servidor especificamente no segmento de TIC (Tecnologia, Informação e Comunicação)?

TN: O grande ativo deste setor são as pessoas. Programadores, desenvolvedores, time de RH e marketing, enfim: uma empresa de tecnologia é, em última análise, uma empresa de pessoas. Ninguém melhor do que um líder servidor para estimular e fazer vir à tona todo o potencial que elas têm.

Além disso, quando falamos do desenho e entrega das soluções/produtos, o líder servidor não poderia ser mais atual. Conceitos como User Experience e Design Thinking, por exemplo, têm como principal objetivo colocar as pessoas no centro da estratégia corporativa. Tudo a ver, né?

  • IT Brasil: Quais os benefícios em ter um parceiro de negócio que desenvolve seu trabalho nas bases da liderança servidora?

TN: Eu diria que a questão mais importante na parceria comercial, considerando a liderança servidora, é o respeito e a valorização das relações. É também dedicar tempo para ouvir e alinhar expectativas de uma relação de longo prazo.

 Parcerias comerciais de sucesso nascem de valores alinhados com clareza, porque isso evita o confronto. Não o confronto saudável das discussões de ideias, eu falo sobre evitar  discussões que não vão ser solucionadas quando estão em jogo valores incompatíveis.

 Tommy Nelson também é autor do livro “O processo da Pérola”, um guia bem “mão na massa” para você criar a sua própria estratégia de vida, desde a carreira até as finanças, família e relacionamentos. Vale a pena a leitura!

 Continue acompanhando nossos conteúdos aqui no blog e nas nossas redes sociais. Gostou deste? Curta e compartilhe com seus amigos!